terça-feira, 29 de novembro de 2016

PAIS VERSUS PROFESSORES - QUEM TEM RAZÃO




      
As crianças estão inquietas. A professora fica cada vez mais estressada, já chamou atenção diversas vezes. Ela chama atenção de toda turma porque parece que todos estão descontroláveis. Ela berra, exigindo disciplina.
Na verdade, nunca é a turma toda, mas alguns alunos que estão agitados e “indisciplinados”. Toda hora se cutucam, se mexem, não param de falar, só querem brincar.
A professora pega o mais agitado pelo braço e leva para a diretoria: “este aluno não para quieto, veja o que faz aí com ele, . . . se tiver que chamar os pais, . . . eu já não aguento mais.
A diretora começa conversando, depois começa a falar mais alto diante do silêncio, ou da aparente atitude de ironia do aluno.
É, não tem jeito mesmo, vou ter que chamar teus pais.
E lá se vai mais um bilhete para os pais pedindo que este “tomem providências” em relação a seu filho.
Em casa, os pais tentam conversar, “eu já não sei mais o que fazer com você”.
Os pais são convidados para comparecer na escola para conversar com professora e diretora.
Na escola, o conceito comum é “os pais querem que a escola dê educação, mas isto deveria começar em casa”, “estes pais negligenciam seus filhos, não tão nem aí e a escola é quem tem que se virar”.
Em casa, os pais se perguntam onde estão errando, pois conversar não adianta, e tem até aqueles que dão uma surra no filho, mas tampouco tem tido resultados.

Onde está exatamente a causa do problema?
Os professores precisam que os pais contribuam mais com a escola?
Os pais precisam que os professores resolvam o problema de seu filho enquanto na escola, porque em casa não conseguem lidar com filhos?



Na verdade, a resposta a este problema poder ser muito mais simples do que se imagina.
Talvez algumas coisas bem simples estejam escapando dos olhos dos pais, mas também dos olhos dos profissionais da escola.
A autora e professora de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vem desenvolvendo estudos bem aprofundados sobre como lidar com conflitos na escola. Na verdade, os estudos expõem nossas maneiras de resolver conflitos como sendo arcaicos e totalmente ineficazes. Por quê? Como deveríamos proceder?
A professora e sua equipe usa método científico para determinar ações normalmente usadas em escolas para “coibir” indisciplinas, o que significa que ela analisou centenas de ações que escolas tomaram. Então analisou o efeito sobre cada criança, cada pai e mãe, cada professor, através do tempo.
Fez centenas de entrevistas com pais e professores. Quais foram as medidas que mais resultados positivos tiveram. Qual a razão da maioria das medidas não terem o resultado esperado?
Como exemplo, veja a questão dos bilhetes.
Como são redigidos os “bilhetes” aos pais? Exemplo, “pais, por favor tome providências com seus filho . . .”
O que a escola espera exatamente que os pais façam?
Quantos pais “tomam providências” e resolvem a situação? Que tipo de providência costumam tomar? Como professores reagem as providências tomadas pelos pais?
O que os pais acham da “incapacidade” do professor de lidar com seu filho?
Naturalmente, a questão dos bilhetes é só um campo estudado. Há inúmeros outros. Como se faz a mediação dos conflitos dentro da escola?
Há diversas ações que nunca deram certo, mas continuam com insistência a serem usadas.
Há algumas poucas e simples maneiras de lidar com muita eficácia, mas que não têm sido usadas pelas escolas.
Bem até aqui, só há questões e dúvidas.
Mas quais são mesmo as medidas que dão mais certo?

Tenha curiosidade de assistir só um video e tua vida como professor mudará muito. Estratégias bem sucedidas são expostos de maneira simples e lógica.



(15m de duração)







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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

CADÊ O CONSELHO ESCOLAR DESTA ESCOLA, GENTE?

PLANOS DE AÇÃO PARA O FORTALECIMENTO DO CONSELHO ESCOLAR

O conselho escolar é um relevante organismo de articulação entre a escola e a comunidade. Porém, em nossa realidade escolar, isso não acontece devido à:

Sua inexistêncianas escolas da rede municipal (não existe a atuação do conselho escolar nas escolas – possivelmente pelo desconhecimento de sua real função);
Desconhecimento (também) do que seja o processo democrático pelo coletivo escolar;
Centralização do poder de partilha por parte da direção;
Falta de autonomia da escola com relação ao sistema educacional;
Falta de consciência política de boa parte da equipe;
Falta de liderança;
Ausência de momentos para diálogo e de debates na escola;
Ausência de participação da comunidade (não reivindicam direitos assegurados pela legislação, talvez por falta de conhecimento);

Segundo Paro (2007, p. 2), de todos os mecanismos de ação coletiva estabelecidos para ampliar a participação da comunidade na escola, o mais acionado e o que mais suscitou polêmicas, expectativas e esperanças foi o conselho escolar:
Temido por diretores, que receavam perder seu poder no controle da unidade escolar;
reivindicado por professores e suas entidades sindicais que pretendiam com ele
minimizar o autoritarismo do diretor e ter acesso ao poder nas unidades escolares; e
objeto de luta de movimentos populares que viam nele a oportunidade de reivindicar
mais e melhor educação, o conselho de escola, junto com a eleição de dirigentes
escolares, têm sido as características mais conspícuas das políticas educacionais . . .”

Como organização, a escola segue políticas contraditórias que atendem a interesses de grupos de expressão nacional, estadual, municipal e, muitas vezes, local. A comunidade atendida tem pouca influência nos aspectos políticos que determinam as normas e leis que impõem como deve funciona a escola dentro do sistema educacional. É ela, entretanto, que está mais próxima e que têm a escola como um dos aspectos de sua vida.
(Sandra Aparecida Riscal)

Práticas autoritárias é o que não falta à escola: direção, professores, pais, coordenadores/ supervisores pedagógicos, enfim, todos aqueles que atuam na educação, formados por uma escola marcada pela pirâmide de poder decisório, sentem-se incapazes, por vezes, de admitir outras formas de educar. (Celso Conti e Flávio Caetano da Silva)



IMPLANTAÇÃO DO CONSELHO ESCOLAR POR MEIO DA CULTURA DE PARTICIPAÇÃO

Plano de ação nº 1 – Fortalecendo a participação e o engajamento no conselho escolar -
Anderson de Lima (Rio Claro, SP)

O problema e seu diagnóstico

O conselho escolar, colegiado fundamental de garantia de participação democrática nas escolas, encontra no Brasil de hoje a valorização, em alguns aspectos, que antes não possuía. Cursos de formação, legislação específica são postos a serviço da concretização desse colegiado da escola.
A leitura da realidade que marca as escolas, porém, de um modo geral, está associada a um diagnóstico bastante preocupante. Grande parte dos conselhos escolares e outros colegiados, como grêmio estudantil, por exemplo, não saem do papel e, quando saem, constituem mera formalidade a serviço da burocracia e do cumprimento da legalidade.
Reuniões fictícias, pautas desconhecidas e muitas vezes não-lidas, assinaturas inconsistentes de pessoas que nem sabem o real significado das mesmas: tudo em prol do cumprimento de legislação e calendário escolar – são meras formalidades burocráticas.
Nesse contexto, a busca pela efetivação da atuação do conselho escolar, muitas vezes buscada na prática gestora, democrática e persistente, de várias escolas, esbarra na dificuldade de viabilização da participação real dos diferentes representantes que formam esse colegiado: professores, funcionários, alunos e comunidade.

Conscientizar a todos sobre essa importante participação e contar com o movimento consciente de presença, opinião e decisão são sonhos daqueles que atuam em prol da real democratização da escola e de seus rumos.
Cada vez mais raro é o conselho escolar que atua de modo concreto e consciente na construção de uma escola de qualidade para todos, voltada de fato às necessidades daqueles que dela fazem parte.
Pensar as possibilidades de conscientização de todos e efetivação do conselho escolar de modo a torná-lo um colegiado de participação e decisão, de mudança e busca pela escola de qualidade, de validação da ação cidadã, crítica e democrática é o propósito deste texto.

Proposta de ação

Conscientizar os partícipes do processo educativo da importância de opinar e decidir sobre a escola que se quer, seus rumos, suas necessidades e suas ações na concretização de sua função social – educar – é a proposta deste trabalho.
Trata-se de uma ação que demanda reflexão e ciência da histórica situação de nosso país.
Há não muito tempo encontramos em nossa história momentos marcados por rígida ditadura, imposição de ideias e cerceamento da liberdade de expressão e também momentos de debate, de luta e conquista do povo. Nestes últimos devemos nos basear para partirmos em busca da maior e mais efetiva participação de todos nos rumos da escola e na superação do conformismo e da aceitação sem reflexão da escola como instituição sem democracia.
Democrática, coletiva, participativa e aberta a todos, essa é a escola necessáriae para a qual o conselho escolar tem papel decisivo. Contudo, sem a participação, sem o diálogo, a presença e o apoio de todos os envolvidos na prática educativa, direta ou indiretamente, fica difícil concretizar tais ideais.
Como aproximar a comunidade da escola? Como contar com o apoio de professores, funcionários e alunos na gestão democrática da escola? Tais questões norteiam as ideias que aqui se propõem.

Objetivos da ação

São objetivos das ações que aqui se propõe:
conscientizar alunos, professores, funcionários e comunidade da importância do conselho escolar, suas funções e funcionamento no cotidiano da escola;
aproximar todos esses partícipes do processo educativo da escola para assumir que essa instituição é algo de todos e para todos.

Procedimentos da ação

A conscientização de todos para a viabilização de um conselho escolar atuante e presente na escola demanda, a princípio a tomada de conhecimento sobre o que é, qual a função e o funcionamento desse colegiado.
Partindo dos alunos, alvo principal da ação educativa e da escola como um todo, torna-se pertinente, conhecer por meio de assembleias, opiniões, ideias e desejos que a clientela escolar possui sobre a escola que tem. Somente a partir do conhecimento da visão do aluno sobre a escola como um todo (desde aspectos físicos, passando pela organização e aspectos pedagógicos) é possível lançar mão da possibilidade de mudança e melhoria por meio da participação de todos, via conselho escolar.
Assim, depois de realizadas assembleias de debate sobre a visão do aluno a respeito da escola, tendo um diagnóstico coletivo e concreto, é possível partir para a apresentação do conselho escolar como colegiado que viabiliza a participação, com poder coletivo de decisão sobre os rumos da escola.
Parte-se, nesse momento, para a apresentação do conselho, sua importância e seu funcionamento. Para tanto, as assembleias são bastante interessantes para esse processo, na medida em que o aluno conta com a informalidade da situação e a abertura para o debate o qual promove o questionamento livre e a exposição de sua opinião.
Funcionários da escola também devem ter a sua oportunidade de participar, de expor opiniões, criticar e argumentar sobre a escola, sobre o seu ambiente de trabalho. Também a partir desse diagnóstico é possível apresentar-lhes o conselho escolar e suas possibilidades. Alunos e funcionários precisam ter ciência de todos os aspectos relevantes sobre o conselho escolar já que, como membros da comunidade que envolve a escola, podem divulgar ideias, lançar sementes sobre aquilo que vão conhecendo melhor.
Trata-se de uma sensibilização que precisa ser valorizada e para a qual todos precisam estar presentes, assim, devem acontecer no cotidiano escolar e contar com a maior presença possível de pessoas de dentro e de fora da escola.
Grupo fundamental nesse processo, os professores não podem ser esquecidos nessa sensibilização sobre conselho escolar. Para tanto, além desse processo indispensável de diagnóstico sobre a escola, pequenas ações ligadas diretamente ao cotidiano desses profissionais, podem resultar na melhor compreensão da participação democrática e da importância do conselho escolar. Decidir sobre pautas de horário de trabalho pedagógico coletivo (HTPC), opinar sobre horários de reuniões, sobre eventos da escola, enfim, sobre a organização escolar diretamente ligada a eles, é muito importante. Dar-lhe voz pode ser um passo importante para apresentar, depois, o conselho escolar como “colegiado da voz e da vez” de todos, em que a escola assume a responsabilidade desta ação e os convida a opinar, pensar juntos e decidir.
Tendo professores, funcionários e gestores tomados clara consciênciada importância do conselho escolar e também da realidade da escola em que estão, falta ainda trazer para esse processo, a comunidade escolar.
Pais de alunos, cidadãos do entorno da escola são fundamentais na construção de um conselho escolar forte.
Nesse momento, a participação de professores e alunos pode ser decisiva. É por meio da ação pedagógica/educativa que tais ideias (sobre conselho escolar) podem ser divulgadas para conscientizar a todos aqueles que ainda não se fizeram presentes na democracia escolar.
Panfletos, cartazes, banners, produções feitas pelos alunos orientados por seus professores, participação em rádios e jornais com textos coletivos das turmas, enfim, a divulgação como objeto de produção escrita, leitura e desenvolvimento da oralidade podem ser muito úteis na divulgação do conselho escolar. Trata-se de direcionar por algum tempo as práticas de produção escrita e arte dos próprios alunos para essa importante missão de chamada da comunidade mostrando que aquilo que não está bom pode melhorar com o envolvimento de todos.


Além disso, reuniões sejam em pequenos grupos ou em assembleias maiores, em ambientes mais informais e agradáveis, podem também ajudar nesse processo de aproximação da comunidade. Com o apoio e o engajamento de todos que estão dentro da escola, aqueles que estão “fora” (comunidade) certamente entrarão.
Vale ressaltar aqui que verificar o que os pais e a comunidade pensam da escola e as mudanças que julgam necessárias é um passo importante para que, de posse das idéias sobre a estrutura, o funcionamento e a força do conselho escolar, engajem-se na construção desse colegiado.
Paralelamente a esse processo de conscientização de todos é fundamental que ocorram momentos, mesmo que iniciais e sem tanta força, de decisão coletiva.
É preciso fazer experimentar o gosto da decisão coletiva e democrática. Coisas simples como organização de recreios, divisão de trabalho de limpeza ou de rotinas de secretaria, entre outros, podem começar a ser pensados por aqueles que estão diretamente envolvidos, num treino de democracia e participação.
A aproximação dos pais, a recepção dos mesmos na escola e a organização mais formal do conselho escolar precisam contar também com a participação efetiva de professores, alunos e funcionários. Depois de feita a divulgação e a conscientização sobre o conselho, é muito importante que ocorram as assembleias para a votação dos conselheiros e para que todos juntos decidamsobre os encaminhamentos de reuniões iniciais para que a presença de todos, ou pelo menos da maioria, esteja garantida.

Cronograma da ação

O tempo necessário para esse processo de conscientização sobre o conselho escolar está associado ao tamanho da escola e ao público nela presente.
Assim, precisa-se ter claro que, mais importante do que os prazos rígidos, é necessária a verdadeira conscientização de alunos, professores, funcionários e comunidade. Não é possível formalizar um conselho escolar sem que tal consciência ocorra e, portanto, somente depois dela que se colocarão datas, horários e regras decididas coletivamente. As assembleias de alunos e funcionários podem acontecer simultaneamente, embora não juntas.
As ações de participação de cada grupo na tomada de decisão do cotidiano escolar devem ser viabilizadas de imediato para que motivem a busca pela garantia da democracia participativa na escola e conduzam todos para a concretização do conselho escolar como forma dessa garantia.

Acompanhamento da ação

A proposta que aqui se apresenta conta com um princípio fundamental que é a noção de gestão democrática da escola. Para tanto, uma equipe gestora consciente da importância e do valor de um conselho escolar na luta pela escola de qualidade que todos queremos é primordial.
A opção pela democracia demanda a divisão do poder, o diálogo, a tolerância, a persistência dos gestores num processo que não é simples nem rápido.
Pelo contrário, trata-se de um processo longo e que precisa partir da crença de sua importância. Somente assim poderá gerar, de fato, frutos de envolvimento, de democracia efetiva.
O acompanhamento das ações propostas está, nesse contexto, diretamente ligado ao gestor escolar e sua equipe (vice-diretores, coordenadores) enquanto viabilizadores diretos da presença e da ação de um conselho escolar que descentraliza poder e opina, acompanha, colabora na construção da escola. A cada novo passo, os novos envolvidos, aqueles que se engajam na construção desse conselho podem ajudar nesse acompanhamento, que, no final, desencadeia a formalização de um conselho escolar de todos e para todos.




Plano de Ação nº 2 – Estratégias para desenvolvimento de cultura participativa no conselho escolar - Josiane Simões Hirakawa (Tremembé, SP)

Problema e seu diagnóstico: a falta de cultura participativa

A participação efetiva da comunidade dentro dos conselhos escolares mostra-se deficiente, por vezes meramente fictícia. Pais, funcionários, alunos e professores muitas vezes são convidados a participar, em um movimento de “convencimento” exaustivo realizado pelo gestor, e este enfrenta negativas situações de participação, e se pergunta se ainda acreditar na possibilidade real de participação democrática.
Perceptível é a falta de conhecimento sobre as funções do conselho escolar e a esquiva para assumir funções de responsabilidade. Muitos aceitam a função e logo avisam que não poderão participar das reuniões e ações, apenas assinarão as atas se for necessário. Outros membros da comunidade desculpam-se pela falta de tempo ou se consideram sem preparo para a atuação. Sabemos que muitas reuniões dos conselhos escolares acontecem sem quórum, com expressivas decisões sendo tomadas por minoria, sem legalidade representativa.
É notória a presença de um grupo que se dispõe a participar, são membros quase vitalícios dos conselhos, aqueles que quando o filho se forma, quando o próprio aluno se forma, quando o funcionário ou professor muda de local de trabalho, o gestor sabe a falta que irá fazer.
Há também o gestor que não admite a divisão do que chama de poder, que não atua democraticamente, detendo para si próprio toda e qualquer decisão sobre os acontecimentos escolares. O gestor inseguro, que defende mais sua posição de protagonista único acima de qualquer meta escolar, acaba por escolher membros para o conselho escolar de forma a não ter oposições frente as suas decisões.
A escola não pode atingir a qualidade educacional desejada sem a participação de todos os segmentos de forma descentralizada e transparente. O fato de o conselho escolar ser um colegiado que representa a comunidade e ter o papel de mola propulsora em todos os processos é inquestionável, mas, como refletir sobre as ações do conselho escolar de forma que este exista de fato, além das atas?
O problema nos leva a crer que a ação primordial é cuidar, com apoio da Secretaria Municipal de Educação (SME), para que aconteça o desenvolvimento de cultura participativa, realizando campanha para que de fato exista ação democrática no ambiente escolar.
Para que a SME possa desenvolver outras ações para o fortalecimento dos conselhos escolares, como curso de formação aos conselheiros e gestores, verificação de legislação municipal para respaldar as ações do conselho, dentre outras, é necessário que exista previamente a consciência da importância do envolvimento e participação de todos envolvidos no processo, assim como dados realísticos desta participação nas unidades escolares.

Proposta de ação: mobilização da comunidade escolar

Respeitando o que preconiza a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 1996), em seu art. 14, inciso II, atenta para a participação da comunidade educativa e local nos conselhos escolares; a ação deve ser iniciada com plano de divulgação de informações, estímulo de reflexões e mobilização da comunidade para tal participação.
Para que a atuação do conselho escolar possa existir em todos os setores e processos escolares, é necessário estimular a comunidade escolar à participação democrática dentro da escola, realizando campanha informativa, provocando reflexões sobre seu papel na construção de uma escola de qualidade, onde aconteça o desenvolvimento do potencial do aluno de forma que o mesmo possa exercitar cidadania consciente e transformadora.
A ação deverá ser acompanhada e avaliada em seu desenvolvimento e resultados pela Secretaria de Educação(SE) local, por meio de relatórios, atas das reuniões dos conselhos e/ou presença de um representante da própria SE. Esta ação trará para a secretaria de um quadro diagnóstico e prognóstico (ao final) da atuação dos conselhos escolares das unidades escolares, respeitando as diferenças entre as comunidades escolares.

Objetivos da ação

Ao realizar campanha informativa e provocar reflexões pretende-se atingir os seguintes objetivos:
Romper com modelo tradicional de participação da comunidade escolar; conscientizar a comunidade escolar da possibilidade real da participação democrática; manter estímulo constante à participação dos membros envolvidos ao longo do processo, desenvolvendo a cultura de participação; realizar diagnóstico e prognóstico dos conselhos escolares do município à SE.

Cronograma da ação

O plano de ação é programado para ter início durante o segundo semestre do ano letivo anterior.
A ação se inicia em agosto e a verificação dos resultados no final do ano letivo seguinte. Um quadro foi elaborado para visualização do cronograma previsto para as ações. Esse cronograma é colocado como um guia, como uma sugestão, pois cada escola poderá adequar o período e forma de aplicação das etapas estratégicas à sua realidade, desde que todas as etapas possam ser realizadas.

Acompanhamento da ação

A ação será acompanhada em todas as etapas pelo próprio conselho escolar, desde o início da até o final, havendo, se necessário, reajustes na condução e desenvolvimento das estratégias.
A proposta é que uma ficha avaliativa seja preenchida nas reuniões após as reflexões sobre a ação para que se possa ter um registro, inclusive um gráfico avaliativo da presença e atuação dos conselheiros escolares.
A ficha avaliativa deverá ser elaborada pelos próprios conselheiros no início da ação e será usada nos dois anos letivos em que a ação será desenvolvida, podendo ser recurso inclusive ao final do processo como instrumento comparativo de resultados.




Este texto é conteúdo do “Conselho escolar: ALGUMAS CONCEPÇÕES E PROPOSTAS DE AÇÃO” (Editora Xamã - 2010)
(Maria Cecília Luiz (organizadora)
Juliana Carolina Barcelli 
• Celso Conti 
• Sandra Aparecida Riscal
Géssica Priscila Ramos 
• Maria Cristina Fernandes
Flávio Caetano da Silva 
• Ana Lucia da Silva 
• Ronaldo Martins Gomes
Júlia Pires Pasetto 
• Lucéia de Souza Paula 
• Viviane Wellichan
Lariska Nicolle de Oliveira 
• Drieli Camila Giangarelli

Resultantes de um trabalho desenvolvido no curso de extensão “Formação Continuada a Distância em Conselhos Escolares”, oferecido em parceria com a Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação e a Universidade Federal de São Carlos, em 2009/2010, os “planos de ação” foram propostas elaboradas por cursistas (professores, diretores e técnicos das Secretarias Municipais de Educação do Estado de São Paulo), com o objetivo de propiciar uma ação pedagógica diferenciada e fortalecer o conselho escolar (CE). O curso, enquanto formação continuada possibilitou a esses alunos vincular conteúdos teóricos (amadurecidos durante os estudos dos dez cadernos do Ministério da Educação (BRASIL, 2004b, c, d, e, f; 2006a, b, c, d, e) sobre conselhos escolares e discussões teóricas nos fóruns), e práticos (vivenciado por cada cursista), com perspectiva de construir ações baseadas em suas realidades.



REFERÊNCIAS: CADERNOS DA "FORMAÇÃO DE CONSELHEIROS"


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

QUALIDADE DE ENSINO E A AUTO AVALIAÇÃO ESCOLAR



Como seria bom se todos que trabalham em uma escola, assim como pais e alunos pudessem sentar, conversar e assim juntar sugestões do que fazer para melhorar a escola. Assuntos como situação do prédio, participação dos pais, relacionamentos entre diretor, funcionários, professores e pais, e até o desenvolvimento e aproveitamento dos alunos.
Isto existe e chama-se "Análise dos Critérios de Eficácia Escolar". (link para baixar documento, http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/matriz_instrumentos.pdf


 O que é e como funciona
É um tipo de questionário que envolve todos os setores duma escola, com o objetivo de se saber como está cada setor, quais possíveis causas de falhas e especialmente que ações serão tomadas nos anos a frente para corrigir, começando com as mais graves.
O primeiro passo acontece antes de se reunirem.
"O Grupo de Sistematização deve definir quem estará envolvido na análise e em quais áreas. A análise dos critérios deve envolver as pessoas que mais diretamente estejam ligadas ao assunto que será analisado".
Pode se solicitar que grupos de pessoas estudem antes o conteúdo do formulários bem antecipadamente, que façam observações e sugestões. Por exemplo, pode ser feito uma passeio pelo prédio para ver a situação real do mesmo. 
O formulário contém 174 questões diferentes de avaliação divididas em sete setores principais. Cada setor está dividido em subsetores. 
Veja os sete tópicos: Ensino e Aprendizagem, Clima Escolar, Pais e Comunidade, Gestão de Pessoas, Gestão de Processos, Infra Estrutura e Resultados de Desempenho da Escola.
Fazendo a "análise"
Depois que de todos os envolvidos tiverem tempo de investigar em dias anteriores, o formulário e a situação real da escola, sentam para preencher o formulário. Como é feito?
É rápido. Basta dar uma nota de 1 até 5 da situação de cada um dos 174 itens. Não precisa debater e gastar tempo nesta fase.
Importante lembrar que todos os itens exigem uma evidência da situação, que deve ser documentos e não apenas o que acham os que ali estão.
A parte mais importante
A próxima Ficha é o 'Resumo dos Critérios'. Nesta vamos resumir todas as notas obtidas no formulários, escolher as piores notas. 
Para cada critério dos sete, listar no máximo três requisitos e para cada requisito no máximo duas características.
Sim porque a escola atacará incisivamente as três falhas mais graves da escola de cada setor.
 As fichas com soluções
As próximas fichas contém as possíveis causas de cada uma da falhas escolhidas anteriormente e dai então . . .
As ações concretas a serem tomadas.
Também tem a ficha com projeções de recursos para próximos dois anos, o Plano Estratégico com Objetivos e Metas com definição de Ação, data de início e conclusão, Responsável, custos e resultados.
Uma das mais importantes ferramentas para se alcançar a qualidade na educação
         Veja o que relatou a Escola Municipal Alto da Boa Vista II sobre o assunto:

       "Esta avaliação diagnostica constitui parte integrante do Projeto Político Pedagógico da escola. Trata-se de uma avaliação qualitativa voltada para o aperfeiçoamento da escola, isto é, correção dos desvios, redirecionamento de rumos, reordenação de competências e valores, no decorrer dos trabalhos pedagógicos e administrativos definidos. Trata-se de um processo dinâmico, continuado e nunca acabado, pois sempre iremos procurar melhorar e diversificar seu desenvolvimento, inovando cada vez, buscando seu melhor desempenho e eficácia".
"Sabe-se que o ato de avaliar deve pressupor uma tomada de decisão, pois a avaliação não tem fim em si mesmo; ninguém avalia por avaliar, e sim para agir sobre seus resultados".
       "Embora ela seja um tema complexo e profundo, que desperta muitas emoções e pouca coragem para enfrentá-la precisa ser desmistificada e entendida por toda a equipe da escola, para que possa proporcionar a melhoria da qualidade do ensino".
  "O ato de avaliar tem sido utilizado como forma de classificação e não como meio de diagnóstico, sendo que isto é péssimo para a prática pedagógica. A avaliação deveria ser um momento de “fôlego”, uma pausa para pensar a prática e retornar a ela, como um meio de julgar a prática".
 ". . .devemos estar abertos para observar o acontecimento como acontecimento e não como erro. O erro não deve ser fonte de castigo, mas sim um suporte para sua compreensão, retirando dele os mais significativos benefícios".
  "Porém, o que predomina ainda hoje é a avaliação como instrumento do “medo” (controle social), gerando inseguranças e uma exacerbada submissão. A aprendizagem neste contexto deixa de ser algo prazeroso e solidário, passando a ser um processo solitário e desmotivador" . . .
  "com a avaliação das ações iremos diagnosticar quais as ações que estão dando bons resultados e as que forem preciso reformular, para que atinja seus objetivos e metas. Propiciando assim um trabalho coletividade, envolvendo toda a comunidade escolar, em prol de uma educação de qualidade".
Como fizeram na prática
          "Serão realizadas reuniões semestralmente com toda a equipe escolar, para analise dos relatórios, com o objetivo de averiguarmos se as ações foram bem sucedidas ou não e fazermos as devidas modificações necessárias às ações que foram concretizadas dependendo do seu resultado alcançado.   Em seguida foi entregue uma copia da proposta a todos e lida, terminada a leitura ficou determinado para que na próxima reunião, iremos debater e definir se a referida proposta ira ser implementada ou não nas ações do PPP".
         "É um projeto elaborado de forma participativa e colaborativa, originado no seio da coletividade docente, funcionários, alunos e pais, que dá uma identidade à instituição educacional. O gestor escolar ao liderar a organização do processo de monitoramento e avaliação deve fazê-lo de forma organizada e sistemática e segundo os princípios da pesquisa científica, de modo a garantir a correção e propriedade dos dados coletados e a realização de analise e interpretações confiáveis".
"Está avaliação das ações do PPP vem ao encontro denossos anseios buscamos instituições serias compromissadas e cada vez mais transparentes na sua linha de trabalho, em que a sociedade participa não só para cobrar, mas também contribuindo com a equipe de trabalho da instituição".


Mas nem tudo é tão lindo 

Infelizmente nem todas as escolas seguem este modelo apresentado acima. Conheço uma escola em que foi feita a reunião pedagógica para tratar deste assunto.
Os presentes não haviam lido o formulário, estando sem saber do exato objetivo de estarem ali.
Resolveram que deveriam começar escolhendo três itens de cara para "poupar tempo".
Ao escolher tais itens, optaram por aqueles que estavam melhor. Sim optaram por aqueles que puderam dar notas 4 ou 5. Porquê?
Porque estavam preocupados em passar uma impressão boa da escola, valorizando o bem que faziam, fechando os olhos para as falhas.
Despreparados, muitos comentavam que parecia que as questões eram parecidas ou idênticas a anteriores. Que nem valeria ler novamente.
Na verdade a questão pode "parecer" igual, mas se trata de outro setor da escola.
Como demoraram tempo ao escolher o que melhor convinha, passaram dia inteiro fazendo isto. Na verdade, nesta fase, bastava dar uma nota para cada item, e se tivessem conhecimento antecipado, seria tudo muito rápido.
Resultados     
Esta escola não terá metas tampouco ações  que respondam ao estado real da mesma. Terá metas distorcidas e problemas mais sérios ficarão sem serem solucionados. Perdeu-se uma grande oportunidade. Mais que isto, houve uma irresponsabilidade para com a clientela, pais e alunos, que esperam no mínimo, uma escola preparada, eficaz, e preocupada com a qualidade de ensino e aprendizagem de seus alunos.








sexta-feira, 20 de maio de 2016

O PAPEL DO CONSELHO ESCOLAR NA MELHORA DA QUALIDADE DE ENSINO

Quando soubemos que havia uma escola na cidade de Joinville que conseguiu elevado índice no IDEB, cogitou-se fazer uma caravana com diretores de várias escolas de nossa cidade para visitá-la. Mas havia um problema: O diretor da mesma informou que tinha que se agendar data porque muitas caravanas já tinham se inscrito para visita.
Mas o que tinha esta escola de tão especial?  “Soube que elas tem o apoio de várias empresas grandes da região” falou um dos diretores presentes na reunião.
Em outras palavras, ela tem dinheiro das empresas que a apoiam.





A melhora da 'qualidade' na educação certamente não se resume em 'mais dinheiro'.

Antes de se falar em Qualidade na Educação, precisa-se investigar exatamente onde está o problema que produz a falta dela. Veja algumas em: QUALIDADE NA EDUCAÇÃO - QUANTO DE DINHEIRO PRECISA?

Professores sem motivação (não só em relação ao salário)
Metodologias ultrapassadas
Conteúdo curricular que não corresponde a realidade
Excesso de conteúdo
Criatividade engessada (quando professor não leva em conta a criatividade, mas leva ao aluno tudo pronto)
Uniformização humana (quando professor encara alunos como idênticos, não levando em consideração seus talentos, suas dificuldades e suas profissões futuras)

Todos estes aspectos tem a ver com a qualidade pedagógica da escola e com a didática do professor.

Conselhos Escolares

Educação de qualidade segue inevitavelmente atrás da formação e do funcionamento correto dos “Conselhos Escolares (CE)”.

Conselho Escolar é um órgão legalmente instituído, com eleições sérias para composição de seus integrantes. É o órgão de autoridade máxima dentro da escola. “Conselho Escolar é o órgão colegiado, na estrutura da escola, composto pelo diretor e por representantes dos professores, demais funcionários, pais ou responsáveis, estudantes e comunidade local (se for o caso), que tem por atribuição decidir sobre questões pedagógicas, administrativas e financeiras, no âmbito escolar. (Módulo 1: Conselho Escolar na democratização da escola)

Conselho Escolar e sua relação com assuntos pedagógicos

Mas o CE não trata apenas de assuntos administrativos, financeiros e patrimoniais?

Sobre o papel do CE, Ilma Passos Alencastro Veiga – UnB/UniCEUB esclarece que “a gestão democrática da escola pública poderá constituir um caminho para a melhoria da qualidade do ensino se for concebida como um mecanismo capaz de inovar as práticas pedagógicas da escola”. Cita a gestão democrática como “elemento propulsor da discussão que enaltece o papel da escola quando esta exerce a tarefa imprescindível de ouvir a palavra de sua comunidade escolar para reivindicar direitos fundamentais como o direito de dizer sua palavra, o de realizar sua aprendizagem com o outro e o de exercer a democracia na direção de uma vida com qualidade social”.
Enfatiza que os professores, funcionários, alunos, pais ou responsáveis e os elementos representativos da comunidade, empoderados, devem comprometer-se com a luta do outro; serem capazes de romper com o hierarquizado”; e a “busca de uma educação que responda aos interesses coletivos a fim de gerar inovações e qualidade de vida para todos.
É da natureza essencialmente político-educativa dos Conselhos Escolares que estes devem deliberar, também, sobre a gestão administrativo-financeira das unidades escolares, visando construir, efetivamente, uma educação de qualidade social. Para o exercício dessas atividades, os Conselhos têm as seguintes funções:
a) Deliberativas: quando decidem sobre o projeto político-pedagógico e outros assuntos da escola, . . .Elaboram normas internas da escola sobre questões referentes ao seu funcionamento nos aspectos pedagógicos. . .

c) Fiscais (acompanhamento e avaliação): quando acompanham a execução das ações pedagógicas. . .

Ocorre que o Conselho Escolar possui uma característica própria que lhe dá dimensão fundamental: ele se constitui uma forma colegiada da gestão democrática. Assim, a gestão deixa de ser o exercício de uma só pessoa e passa a ser uma gestão colegiada, na qual os segmentos escolares e a comunidade local se congregam para, juntos, construírem uma educação de qualidadee socialmente relevante. Com isso, divide-se o poder e as consequentes responsabilidades”.
Com esse propósito, a primeira atividade que o Conselho Escolar traz para si é a de discutir e definir o tipo de educação a ser desenvolvido na escola, para torná-la uma prática democrática comprometida com a qualidade socialmente referenciada”.

De fato as atribuições do CE são:
-elaborar o Regimento Interno do Conselho Escolar;
-garantir a participação das comunidades escolar e local na definição do projeto político-pedagógico da unidade escolar;
-promover relações pedagógicas que favoreçam o respeito ao saber do estudante e valorize a cultura da comunidade local;
-propor e coordenar alterações curriculares na unidade escolar, respeitada a legislação vigente, a partir da análise, entre outros aspectos, do aproveitamento significativo do tempo e dos espaços pedagógicos na escola;
-propor e coordenar discussões junto aos segmentos e votar as alterações metodológicas, didáticas e administrativas na escola, respeitada a legislação vigente;
-acompanhar a evolução dos indicadores educacionais (abandono escolar, aprovação, aprendizagem, entre outros) propondo, quando se fizerem necessárias, intervenções pedagógicas e/ou medidas socioeducativas visando à melhoria da qualidade social da educação escolar;
-fiscalizar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da unidade escolar;
. . . acima de tudo, deve ser considerada a autonomia da escola (prevista na LDB) e o seu empenho no processo de construção de um projeto político-pedagógico coerente com seus objetivos e prioridades, definidos em função das reais demandas das comunidades escolar e local, sem esquecer o horizonte emancipador das atividades desenvolvidas nas escolas públicas.

A Gestão Financeira e a Qualidade de Ensino

A gestão financeira autônoma da escola também irá contribuir para a melhora da qualidade de ensino.
Posso citar como exemplo uma escola em que se foi determinado por agentes externos que se transformaria em Escola Integral. Houve falta de espaço e de profissionais adequados e preparados. Faltou um claro entendimento que haveria um aumento acentuado de despesas. Primeiro, deveria ser feito um estudo investigatório de espaços, uma vez que a escola dobra seu número de alunos de um dia para outro. Depois, que aumentos de despesas haverá, assim como novas despesas também. Quem faria isto? Quem conhece os assuntos da escola senão a comunidade escolar! Veja: ESCOLA FORA DA SALA - A IMPLANTAÇÃO DE ESCOLA INTEGRAL

Melhorias no prédio escolar, nos materiais pedagógicos, na informatização, na personalização de espaços dentro da escola, e outros, certamente dependem de dinheiro.


A autonomia financeira deve possibilitar à escola elaborar e executar seu orçamento, planejar e executar suas atividades, sem ter que necessariamente recorrer a outras fontes de receita, aplicar e remanejar diferentes rubricas, tendo o acompanhamento e fiscalização dos órgãos internos e externos competentes. Em síntese, é obrigação do poder público o financiamento das instituições educacionais públicas e compete às escolas otimizar e tornar transparente e participativo o uso dos recursos. Assim, o conselho escolar é o local apropriado de discussão e democratização do uso dos recursos financeiros administrados pela escola”. http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/cad%207.pdf
O aspecto financeiro certamente tem um papel relevante no desenvolvimento da qualidade de ensino.

Quando não há dinheiro não há qualidade de ensino . . .

Talvez seja nesta hora que precisamos rever nossos esforços de produzir uma escola de qualidade. Aqui também entra o papel dos Conselhos Escolares. Como?

Se ficarmos esperando pela tal da verba, e se ela demora, como parece sempre acontecer, então a qualidade de ensino vai ter que esperar. Que triste!

Uma vez que o CE primordialmente zela pela qualidade do ensino, este deveria sempre incluir na discussão o que fazer para atingir este objetivo, sem a verba esperada. É possível isto?

Que aspectos poderiam entrar em discussão?

Professores sem motivação

Quando um conselho escolar senta para assumir a responsabilidade de incentivar os professores que porventura estão passando por um momento de desmotivação, só isto já dá uma animo a eles. Sim, só o fato de saber que tem uma comunidade inteira, através do CE, preocupada com isto.
A partir daí, o CE vai tentar identificar as razões para esta falta de motivação.

Violência e indisciplina escolar

O CE deve ter condições de lidar com isto, uma vez que os seus membros representam toda a comunidade, e, uma vez identificado o problema e suas raízes, o caminho para solução será fácil. A conversa com pais, a intervenção da polícia, a posterior fiscalização para que as ações combinadas funcionem, tudo isto será eficaz devido a estar no assunto um órgão com a força de comunidade.

Didáticas ultrapassadas, metodologias ineficazes

Alunos com dificuldades de aprendizagem, didáticas falhas, falta de apoio dos pais em casa, excesso de conteúdos, professores que desestimula a criatividade, ou que exigem de alunos mais que eles podem suportar, ou que ficam aquém do esperado, são dificuldades que podem ser prontamente tratadas pelo CE.
Sim, o CE pode e deve se envolver nestes assuntos.

É preciso romper com a lógica massificadora da escola, que tem historicamente desconsiderado a diversidade de opiniões, posturas, aspirações e demandas dos atores sociais que agem no seu interior. É preciso respeitar e criar condições para o desenvolvimento das potencialidades e para o atendimento das necessidades específicas dos estudantes. Assim, o respeito ao pluralismo torna-se garantia de um ambiente efetivamente democrático na escola”. http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad2.pdf

Quanto à atuação dos trabalhadores em educação no processo educativo: 1. Como são estabelecidos os conteúdos e a metodologia a serem desenvolvidos em sala de aula? O professor participa desse trabalho? 2. Os materiais didáticos existentes na escola são utilizados com freqüência pelos docentes? 3. Como tem sido a participação dos docentes na coordenação pedagógica? 4. Como se desenvolve a relação professor/estudante na sala de aula? 5. Como se desenvolve a relação funcionário/estudante no espaço escolar? 6. Quais os instrumentos utilizados na avaliação dos estudantes, pela escola? 7. Como o professor trabalha com os resultados das avaliações dos estudantes? 8. Como é feita a recuperação da aprendizagem dos estudantes que demonstram baixo desempenho nas avaliações? 9. Como é utilizado o livro didático em sala de aula? 10. Como acontece a participação dos professores e dos funcionários não docentes nas atividades globais da escola?
Como socializar os dados e informações que o Conselho Escolar conseguiu obter?

Os dados e as informações recolhidos e analisados pelo Conselho Escolar precisam ser divulgados a toda a comunidade.

Assim, não importa se foi este ou aquele estudante que teve um fraco desempenho em matemática Importante é saber que alguém, um sujeito importante no seio da escola, necessita de apoio para obter um melhor desempenho. Da mesma forma, não é importante saber e divulgar que um determinado professor não tem utilizado bons instrumentos de avaliação. Importante é saber que um dos docentes necessita ser sensibilizado e informado de novas formas de avaliação que, de fato, sejam iluminadoras no processo avaliativo. Com esses cuidados, o Conselho Escolar estará garantindo a transparência das ações da escola, como instituição pública que tem o compromisso de “prestar contas” de seu trabalho.
Numa democracia, o setor público tem o dever de ser transparente para a sociedade. Nesse sentido, a Escola precisa divulgar suas ações para toda a comunidade escolar e local. A avaliação empreendida pelo Conselho Escolar, junto com a direção da escola, serve como um mecanismo para esse fim. Nesse processo, o sentido ético tem que permear todas as ações, além de ser a chave para o sucesso do processo democrático.


Educação de qualidade segue inevitavelmente atrás da formação e do funcionamento correto dos “Conselhos Escolares (CE)”.

O primeiro passo em direção a melhora na qualidade do ensino, após a instauração e correto funcionamento do mesmo, certamente é colocar o tema na roda de conversa de toda a comunidade escolar.
Analisar o que tem impedido isto, o que é possível fazer agora (mesmo sem dinheiro), já nos motiva a fazer algo.
Assim a Melhora na Qualidade da Educação está em nossas mãos, basta começarmos as discussões e as ações próprias para isto.

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